Eu tinha uns 3 ou 4 anos quando eu comecei a me apaixonar por aquelas letras desenhadas que todo os adultos escreviam. Era mágico! Então, tentei escrever meu nome, lembro de usar giz de cera e escrever tudo torto. Mas para mim, aquilo era uma obra de arte, minha primeira professora ( minha mãe) escreveu o meu nome para que eu copiasse. E elogiou como havia ficado lindo aquele rabisco. Ela também achava que era uma obra digna de Galerias. Lembro do sorriso.
Aos 5 com quase 6 anos, entrei na escola, e minha professora, ainda lembro o nome Marli Gomes (impossível esquecer), me ensinou a fazer todas aquelas letras que eu via como desenhos. Ensinou a contar. E foi uma das primeiras pessoas que me escutou ler juntando silaba por sílaba. Eu es-ta-va len-do. E aquele marco foi incrível.
Também não posso esquecer da minha amiga bibliotecária Alzira, que me ajudou a fazer uma ficha na biblioteca municipal e a escolher livros quando eu tinha apenas 8 anos. Havia tardes que eu ficava na companhia dela lendo numa sala pequena.
Quando me dei conta estava terminando a famosa 4ª série, pronta para começar a estudar no lado “grande” da escola. Lá, havia professores maravilhosos, fui ao meu primeiro encontro de estudantes de matemática. A minha professora, me dava muito apoio, era baixinha, cabelinho curto, e briguenta com quem não prestava muita atenção.
Então, me mudei de escola duas vezes, e conheci inúmeros professores maravilhosos, e todos eles tinham um brilho no olhar quando eu consegui superar um desafio, ou trazia uma ideia nova, ou simplesmente escrevia um texto “bonitinho” para o jornal da escola.
Comecei a estudar sobre vinho e ali o mundo se abriu de uma forma peculiar aos meus olhos, porque eles ( os professores) sabiam tanta coisa, tinham tanta informação, e aguentavam aquele bando de adolescentes que não sabiam o que realmente estavam fazendo. Nessa época, eu passei a ver meus mestres como amigos. E ainda posso ter uma boa conversa quando os vejo.
Na faculdade embora diferente, é quase o mesmo. Continuo vendo o brilho nos olhos de muitos professores, quando um aluno participa, quando surge uma pergunta que ninguém responde. E vejo uma sombra quando observam que há pessoas que não se importam. Independente do quanto eles se esforcem para dar uma boa aula, ou o quanto tentem chamar atenção para coisas que ás vezes parecem banais, mas que são perfeitas.
Hoje, ninguém me ensina a juntas silabas, a somar 1 + 1. Eles me ensinam a pensar. Me ensinam que o mundo é um novelo de lã, e que muitas vezes é necessário perder algum tempo desatando um nó que parece pequeno, mas que prende todo o resto do fio. Quando desata o nó, vê que é enorme e possível de se fazer muita coisa.
E hoje, nesse querido dia 15 de outubro, eu só posso agradecer por tudo o que me ensinaram da forma mais singela e mais importante de aprendizado: escrevendo. Aprendi a amar isso lá na infância, e essa ideia foi crescendo e se tornando tão forte que hoje é parte de mim. E por esse motivo, vocês também são. Obrigada por estarem lá quando precisei, obrigada pelo incentivo e por acreditarem quando nem eu acreditava. Obrigada pelo estimulo. E por fazer parte da minha história.
Meu queridos mestres,
feliz dia do professor.